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segunda-feira, 30 de março de 2015

Ciep no Alemão tem marcas de tiros em sala de aula e no muro

As marcas de tiros no muro do Ciep
Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp
Um morador do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, denuncia que uma escola acabou ficando no meio do fogo cruzado entre policiais militares de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e traficantes. Na quinta-feira passada, ele resolveu tirar fotos do muro e de sala de aula do Ciep Theóphilo Pinto Souza, na Favela Nova Brasília, e enviou os registros para o WhatsApp do EXTRA (21 99809-9952 e 99644-1263). Nas fotos é possível ver muitas marcas de tiros no muro da unidade e também na parede de uma sala de aula, além de vidros quebrados.

- Essa situação está insustentável. Os PMs da UPP vão se esconder no Ciep com medo do ataque dos “caras” (bandidos). E não tem hora para isso acontecer: é de dia, à tarde e à noite. A escola está toda furada. Os alunos e os funcionários correm um risco danado - conta o morador, um pedreiro de 28 anos.
A parede da sala de aula tem marcas de disparos
A parede da sala de aula tem marcas de disparos Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp
Segundo ele, o problema vem ocorrendo há três meses, mas se intensificou na semana passada, quando os tiroteios no Alemão foram quase diários. O pedreiro diz que acha o risco de balas perdidas tão grande que resolveu tirar o filho de 8 anos da escola. O menino está em casa enquanto o pai procura outro colégio para ele.

- O Ciep é o melhor porque é mais perto de casa. Mas desse jeito que está, nem pensar em deixar meu filho estudando lá. Vou procurar outra escola, nem que seja mais longe - conta o morador.
Um dos vidros estilhaçados
Um dos vidros estilhaçados Foto: Via WhatsApp / Foto do leitor
Procurada, a Secretaria estadual de Educação não se posicionou sobre a situação relatada pelo pedreiro e pediu que a reportagem procurasse a assessoria de imprensa do governo estadual, que encaminhou a requisição para o comando das UPPs. Este último enviou um e-mail com a mesma resposta dada na semana passada, quando o EXTRA mostrou que policiais da base avançada da Rua Canitar foram expulsos por traficantes.

"O nosso posicionamento permanece o enviado anteriormente: 'As Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) estão em processo de aperfeiçoamento. Há uma reorganização em curso para avançarmos e garantirmos à população o objetivo de todos: a paz. Recuar, jamais'. Coronel Pinheiro Neto, comandante-geral da Polícia Militar".
Uma das marcas de tiros vista de perto
Uma das marcas de tiros vista de perto Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp
UPP recua
Na semana passada, o EXTRA mostrou que policiais da base avançada da UPP da Rua Canitar, no Complexo do Alemão, foram expulsos do trailer que ocupavam por traficantes. Os bandidos traçaram uma linha imaginária que funciona como limite: eles ameaçam atirar nos agentes que a cruzarem. Diante disso, os PMs se abrigaram numa garagem a cerca de 150 metros do trailer. O EXTRA flagrou ameças feitas pelos bandidos pelo rádio de comunicação: “Não pode passar da faixa, senão está tudo brotado”, diziam, sobre o limite para a circulação dos militares.
Garagem de um morador é usada como base para policiais na Rua Canitar
Garagem de um morador é usada como base para policiais na Rua Canitar Foto: Fabiano Rocha / Extra
Na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, a situação se repete: policiais abandonaram uma base avançada da UPP no Parque Proletário. Eles deixaram o contêiner com medo de serem feridos por tiros disparados por traficantes, uma vez que a base, de acordo com os PMs, é alvo fácil. Perto dela é possível ver marcas de disparos em paredes e postes.

Da Redação
com Extra

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